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Performance “Devir Gazela”

A cura de um trauma. É assim que o artista Rafael Bulhões resume a concepção de Devir Gazela, performance escrita, dirigida e protagonizada por ele que será apresentada nos dias 28 e 29 de janeiro, no Teatro Martim Gonçalves, em Salvador.

A performance permeia uma exposição com elementos que resgatam o histórico de discriminação que Rafael foi alvo ao longo da vida por ser homossexual, como o anuário do ensino médio de uma tradicional escola particular de Salvador, na qual ele não está na foto, por não se sentir pertencente ao espaço em que sofria bullying. “Por muito tempo o meu corpo não era moldado pelas instituições e sofri diversos preconceitos por ter uma articulação livre. Tive traumas que milhares sofrem nas ruas, por terem um corpo não normativo e a sociedade, indevidamente contrariando os direitos democráticos, impõe um padrão que na verdade não existe. Precisei de quase 20 anos para isso se transformar em algo artístico e eu poder lidar de uma forma que não seja dolorosa”, afirmou.

Foi na mesma escola que ele recebeu o apelido de Gazela, por conta da sua sexualidade. “Gazela para mim sempre foi pejorativo. E através deste trabalho tento ressignificar o trauma, afinal gazela é um animal maravilhoso em seu porte e que a sociedade machista e patriarcal tende a violentar”, explicou.

A performance, que foi apresentada em setembro no Museu de Arte da Bahia e em novembro na sala principal do Teatro Sesc-Senac Pelourinho tem textos de Mario Cravo (‘Exu’), Marcelo Coelho (livre inspiração a partir de ‘Ser ou não Ser’, trecho de Hamlet, de Shakespeare) e Antonoin Artaud (‘Para Acabar com o Julgamento de Deus’, 1948), Com objetos marcantes da sua trajetória e projeções de notícias contemporâneas, Rafael Bulhões realiza a apresentação divida em três quadros – Galeria, Tempo e Escatológico – na qual ele idealiza a bailarina da caixinha de música para nutrir seus pensamentos lúdicos, fantasiosos e utópicos a respeito do que seria uma vida possível. “Muitos passam pelo que passei. Devir Gazela é uma ode a empatia. Vejo nas relações de afeto potências transformadoras”, concluiu o artista.

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O artista

Rafael Bulhões, 29 anos, é soteropolitano e formado em atuação cênica pela Unirio (RJ). Tem no currículo a participação em novelas e séries da TV Globo e assina, juntamente com Elmir Mateus, a performance Duo PB, que aborda a questão do racismo e da homofobia. Esta mostra já foi apresentada em praças públicas e festivais no Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Salvador, no Festival Viva Dança, em abril de 2019, no TCA.

Serviço

Performance Devir Gazela, de Rafael Bulhões.
28 e 29 de janeiro, às 19h, no Teatro Martim Gonçalves (Escola de Teatro da UFBA, Canela).
Ingressos a R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)